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obra avança, mas custeio preocupa


Titular da Sesau, Marcelo Vilela diz que projeto avançou sem alinhamento entre município, Estado e União

Hospital Municipal "vai sair", mas ninguém pensou no custeio, avalia secretário
Novo secretário de Saúde, Marcelo Vilela, defende criação do Hospital Municipal, mas diz que estrutura precisará de repasses estaduais e federais para funcionar (Foto: Assessoria).

A promessa de construção do primeiro Hospital Municipal de Campo Grande segue de pé, mas esbarra em um ponto ainda não resolvido, o custeio da nova estrutura. A avaliação é do novo secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, que afirma que o projeto avançou sem o devido alinhamento entre município, Estado e governo federal.

O primeiro Hospital Municipal de Campo Grande enfrenta desafios quanto ao seu custeio, conforme alerta o novo secretário de Saúde, Marcelo Vilela. Apesar do projeto estar em andamento, a falta de alinhamento entre município, Estado e governo federal compromete sua viabilidade operacional futura. O complexo hospitalar, orçado em R$ 842 milhões, será construído no Bairro Chácara Cachoeira e contará com 259 leitos. A estrutura, que deve realizar até 20 mil procedimentos mensais, será viabilizada por meio de parceria público-privada, com pagamento de aluguel pela prefeitura durante 20 anos.

Em entrevista ao Campo Grande News, na manhã desta sexta-feira (16), o titular da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) disse que o tema foi tratado logo na primeira reunião com a prefeita Adriane Lopes (PP), mas apontou falhas no diálogo institucional necessário para viabilizar o funcionamento do hospital após a obra.

Vilela diz ser favorável à construção do hospital e reconhece a demanda por novas vagas na rede pública, mas ressalta que a ausência de pactuação com o Estado compromete o projeto. “Eu tenho uma proposta para a prefeita Adriane, de a gente pegar esse projeto e ir discutir com o Estado, porque o Estado terá que cofinanciar, junto ao município e o governo federal, a abertura de leitos. Se não existe essa conversa, não sai, você não consegue financiar o custeio”.

Para ele, o hospital só será viável com a participação conjunta das três esferas. “Para um hospital público funcionar, você precisa conversar com o Ministério da Saúde, Estado e município juntos”, disse. “A conversa aconteceu com o Ministério da Saúde, mas o Estado não estava presente. Isso já gera problema”.

O secretário criticou decisões tomadas sem planejamento financeiro e disse que a discussão daqui para frente “tem que ser mais responsável”. “Você constrói o hospital sem falar com todo mundo e aí quem vai custear isso? Pega duas, três emendas parlamentares, constrói o hospital, e depois? Quem custeia? Para financiar internação, tem que ter o governo federal”.

Vilela lembra que o hospital foi uma das principais promessas da campanha de reeleição da prefeita e que, inclusive, foi cobrado para tirar o projeto do papel. “Foi um dos pilares da reeleição da nossa prefeita [Adriane]. Essa foi uma das coisas que ela me chamou e disse: ‘você vai precisar se dedicar a isso’. Então já teve a primeira reunião e eu fiz as minhas críticas”.

Apesar das críticas, o secretário afirma que a gestão pretende avançar no alinhamento institucional. “Então a gente vai fazer esse alinhamento e, se Deus quiser, até o final do mandato dela teremos o esqueleto desse hospital”.

O secretário afirmou ainda que pretende levar o projeto para discussão com o governo estadual e federal já no final do próximo mês. “Eu vou colocar o projeto na mesa com ele, nós vamos discutir juntos. Eles vão criticar o projeto, porque não teve discussão. Eu acredito que isso vai começar no mês de fevereiro”.

Mais verba – Vilela informou que novas reuniões serão realizadas com o secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, Mozart Julio Tabosa Sales, para tratar do aumento do teto da MAC (Média e Alta Complexidade), que define o limite de recursos federais repassados mensalmente para custear serviços especializados do SUS, como internações, cirurgias e UTIs.

“A gente vai sentar para conversar. A prefeita já havia falado com ele [Mozart] por causa da Santa Casa; houve essa aproximação. Ficou da gente ir lá [em Brasília] agora em fevereiro para debater a situação da Santa Casa. Só que ele deixou bem claro que quer transparência”, disse o secretário de Saúde.

Segundo ele, o principal assunto será a situação da Santa Casa de Campo Grande, que enfrenta crise financeira e reivindica aumento nos repasses públicos. Além de cobrar “mais transparência” por parte da gestão do hospital, Vilela destacou que a ampliação do teto envolve negociações mais amplas.

“Quando você fala em aumentar o teto da MAC, já entra uma discussão de orçamento nacional”, afirmou. “Não é assim: tem que aumentar o teto da MAC para aumentar a Santa Casa. É preciso aumentar o teto da região de Campo Grande”, explica Vilela.

Segundo ele, o debate sobre o hospital municipal também passa necessariamente pela questão financeira e será colocado na mesa. “Aí, na reunião, a gente vai falar que existe o projeto e eu já quero levar a proposta, para ver se consegue o alinhamento. A construção é uma coisa, o custeio é outra. Para discutir o custeio, aí você vai ter que entrar na secretaria, porque senão vai sair só do município e do Estado — ou só do município — e não tem condição”.

Andamento travado – O Hospital Municipal foi apresentado pela Prefeitura como “porta municipal” para desafogar a demanda por vagas na rede, que hoje atende moradores de Campo Grande e também pacientes do interior.

Conforme noticiado anteriormente, o modelo previsto para o empreendimento é de parceria público-privada, em que a empresa vencedora constrói o hospital e a prefeitura paga um aluguel por 20 anos. Segundo Vilela, esse formato já é adotado em outros estados. “Esse modelo já existe em São Paulo, Paraná e Cuiabá”.

Atualmente, Vilela diz que o processo de licitação está “travado” na fase de esclarecimentos jurídicos, conforme consta no Portal da Transparência. Duas empresas apresentaram questionamentos, sendo que uma delas contesta o valor estimado da contratação. “Só que, se não faz desse jeito, lá na frente dá problema. Esse é o desafio”, disse Marcelo.

No Portal da Transparência da Prefeitura de Campo Grande, a concorrência pública aparece em andamento. A última movimentação foi em agosto do ano passado. As empresas Endeal Engenharia (Paraná) e Odila Construtora solicitaram esclarecimentos.

O aviso de licitação foi publicado em 2 de julho de 2024. A Concorrência Eletrônica 11/2024 prevê a contratação de pessoa jurídica para implantação do complexo hospitalar. A modelagem é “built to suit” (locação sob demanda), com a unidade mobiliada e equipada, permitindo o funcionamento pleno de todas as áreas do hospital. O recebimento das propostas estava previsto para 27 de setembro de 2024.

Antes, em 21 de agosto de 2024, a prefeita publicou lei autorizando o Poder Executivo a contratar operação de crédito para a construção do Hospital Municipal e para a aquisição de equipamentos e mobiliário. O empréstimo previsto era de até R$ 268.648.034,06.

De acordo com a Sesau, o valor total estimado do contrato é de R$ 842.161.293,46, para um prazo de 240 meses, incluindo custos da obra, projetos básicos e executivos, mobiliário, equipamentos e serviços previstos em edital.

Projeto – Conforme noticiado anteriormente, o Complexo Hospitalar Municipal deverá ser construído em terreno no Bairro Chácara Cachoeira, com capacidade para realizar até 20 mil procedimentos por mês. O investimento previsto para a construção é de R$ 210 milhões, enquanto mobiliário e equipamentos devem custar cerca de R$ 80 milhões.

Hospital Municipal "vai sair", mas ninguém pensou no custeio, avalia secretário
Projeto do Hospital Municipal, a ser construído em Campo Grande (Foto: Divulgação).

A área total construída será de aproximadamente 14,9 mil metros quadrados, com 259 leitos, incluindo CTI (Centro de Terapia Intensiva), enfermarias e pronto-atendimento, além de 59 consultórios e salas de atendimento, 10 salas cirúrgicas e 19 salas destinadas a exames e diagnóstico.

A manutenção de elevadores, jardins, ar-condicionado, segurança, dedetização e outros serviços deverá gerar um custo aproximado de R$ 20 milhões por ano, sob responsabilidade da empresa que executar a obra. Após a assinatura do contrato, a vencedora terá prazo de dois anos para entregar o hospital pronto.



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