Presidente da CDL, Adelaido Vila, afirma que a mudança vai gerar endividamento das famílias campo-grandenses
Em meio ao impasse sobre o aumento da cobrança do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) de 2026, representantes de entidades do Comércio Varejista da Capital apelaram para que os vereadores encontrem outro caminho para arrecadação municipal. O pedido foi feito na manhã desta quinta-feira (29), durante encontro que acontece todo início de ano para apresentar ao Legislativo as demandas do setor produtivo.
Representantes do Comércio Varejista de Campo Grande apelam aos vereadores para impedir o aumento do IPTU previsto para 2026. Durante encontro realizado nesta quinta-feira (29), o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas, Adelaido Vila, alertou sobre o impacto econômico nas famílias campo-grandenses. A discussão ocorre em meio a um impasse entre o Executivo e a Câmara Municipal. O veto da prefeita Adriane Lopes ao projeto que suspende o aumento será votado na primeira sessão do ano. Caso seja derrubado, a prefeitura poderá recorrer à justiça para manter os novos valores.
“A gente vive um momento muito difícil. Fomos pegos de surpresa. O que estamos enfrentando é um absurdo. É importante deixar claro: isso vai gerar um endividamento muito significativo nas famílias campo-grandenses. Isso vai impedir que muitas pessoas consigam comprar mais um pacote de arroz, de feijão. Vai gerar problemas reais para muita gente”, apontou o presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas), Adelaido Vila.
Para Adelaido, a contrapartida que a Prefeitura oferece com o investimento do recurso público na cidade não é compatível. “Faço um apelo aos senhores, conversem com seus pares. Eu sei que os senhores têm outros compromissos, outras questões a serem discutidas, e isso, às vezes, acaba prejudicando uma decisão tomada de forma precipitada, um voto levado pelo vento”, afirma.
Essa não é a primeira vez que o grupo se mobiliza para evitar o aumento. Na primeira semana do ano, já reivindicavam uma alternativa que considere o impacto social e econômico da cobrança. “Nós precisamos, juntos, encontrar outros caminhos para aplicar os recursos que retornam para o município, mas que não penalizem a população dessa forma”, completa.
O tema marcará o início do ano legislativo de 2026. O veto do Executivo ao projeto de lei elaborado pela Mesa Diretora, que suspende os efeitos do Decreto nº 16.402/2025 e impede o aumento da Taxa de Coleta, Remoção e Destinação de Resíduos Sólidos Domiciliares, está pautado para a primeira sessão do ano, na próxima terça-feira (3).
A votação ocorrerá em meio a um tensionamento entre o Executivo e a Câmara, já que a resposta da prefeita Adriane Lopes (PP) foi publicada menos de 24 horas depois da sessão extraordinária, alegando invasão de competência e criação de despesas.
A decisão da Casa, seja pela derrubada do veto ou pela manutenção, irá impactar diretamente os carnês do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), que surpreenderam contribuintes neste início de ano com valores mais altos. Caso o veto seja derrubado, a única alternativa da prefeitura será judicializar a questão.
O presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), aponta que hoje não consegue antecipar o resultado da votação. “O vereador vota sempre com a sua consciência. Meu papel como presidente é subsidiá-los com todos os pontos e, de certa forma, dar tranquilidade à Casa para que possam votar não baseados em pressões ou provocações políticas, mas a partir de subsídios técnicos, da verdade dos fatos”, disse.
O tucano indica que o Executivo está atuando para manter o veto. “A Prefeitura tem feito o seu trabalho na tentativa de juntar votos para uma possível manutenção do veto, o que é natural e legítimo. O Executivo tem interesse em manter o aumento da taxa e tenta convencer os vereadores de que isso é importante para o município, especialmente diante da queda drástica da arrecadação”, completou.
Além da atuação direta dos titulares da Segov (Secretaria Municipal de Governo e Relações Institucionais) e Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), Ulisses Rocha e Marcelo Miglioli, respectivamente, que têm conversado diretamente com os vereadores, a prefeitura fará uma reunião técnica com o Legislativo para defender a manutenção do veto e, consequentemente, manter o aumento do IPTU.
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