Elas relatam superlotação em salas de aula, assédio e pedem aumento de salário
Assistentes de educação infantil voltaram a lotar a Câmara Municipal de Campo Grande nesta manhã (6), cobrando aumento de salário e relatando situações de assédio moral, além de superlotação e outras dificuldades que a estrutura de algumas Emeis (Escolas Municipais de Ensino Infantil) impõem. Elas ameaçam uma greve na segunda-feira (9), primeiro dia de aula, se não houver algum acordo.
Assistentes de educação infantil de Campo Grande ameaçam entrar em greve na próxima segunda-feira (9), caso não haja acordo com a prefeitura. Em protesto na Câmara Municipal, a categoria reivindica aumento salarial de R$ 1,9 mil para R$ 2,5 mil, além de vale-alimentação de R$ 300.As profissionais denunciam casos de assédio moral, superlotação nas escolas e condições precárias de trabalho. A presidente do sindicato, Natali Pereira de Oliveira, foi demitida após liderar protesto anterior. O movimento recebeu apoio do superintendente regional do Trabalho, Alexandre Cantero, que se dispôs a mediar negociações.
No microfone, a presidenta do Sindicato dos Servidores Contratados da Administração Pública da Rede Municipal de Campo Grande, Natali Pereira de Oliveira, transmitiu a indignação da categoria. Na última terça-feira (3), ela foi demitida da Emei onde trabalhava por ter puxado o primeiro protesto do ano das assistentes na Casa de Leis.
“Estamos há anos brigando e lutando por respeito e valorização. Sem nós, a Emei não abre. O professor não pode ficar sozinho”, ela falou.
Natali destacou que o número de assistentes contratadas nas creches públicas superlotadas e pequenas não dá conta de atender tantos bebês e crianças. “As novas Emeis têm estrutura, as antigas, não. São 28, quase 30 crianças em sala pequena. Tinha uma colega grávida que chegou a ficar sozinha com 30 crianças”, afirmou.
“A superlotação atrapalha desenvolvimento das crianças, incluindo as com deficiência”, acrescentou a sindicalista. “A gente pede o mínimo, que é dignidade, respeito e valorização”, frisou.
Sobre os assédios, Natali apontou que ocorre no dia a dia e também antes dos protestos. “Muitas diretoras coagiram suas assistentes para não virem. Nós vamos avançar nessa pauta, que é a direção parar de fazer assédio com monitoras assistentes. A gente precisa de um representante para ouvir todas as denúncias que estamos levando para a Secretaria Municipal de Educação“, pontuou.
Pedidos – As assistentes querem que o salário seja reajustado de R$ 1,9 mil para R$ 2,5 mil e que a prefeitura pague vale-alimentação de R$ 300.
Elas também pedem a readmissão de Natali à Emei onde trabalhava; a correção da nomenclatura do cargo para que seja incluso na carreira do magistério (em negociação); a efetivação do direito de terem falta abonada para acompanhar familiares em consulta médica; o respeito ao limite de alunos em sala; a filiação das funcionárias ao plano de saúde do Município; fim do desvio de função; e a participação de assistentes na comissão de um novo processo seletivo ou de um provável concurso público para a função (em negociação).
“Não estamos cuidando de pátios, estamos cuidando de vidas. Vamos buscar a valorização, não só a financeira. É claro que queremos isso, né, meninas? Mas também a valorização tá categoria. Respeitem nós mulheres, que estamos cuidando de vidas”, afirmou a assistente Inez Cardoso Ramirez, que faz parte do movimento sindicalista.
Apoio – As assistentes de educação infantil receberam apoio do superintendente regional do Trabalho, Alexandre Cantero. Ele acompanhou o protesto e participou de reunião com vereadores.
“O Ministério do Trabalho se coloca nessa mesa de negociação para tomar providências em parceria com o Ministério Público do Trabalho contra essas violações de direitos e da dignidade dessas mulheres que deixam seus filhos e se colocam à disposição da nossa sociedade para cuidar das nossas crianças”, disse.
As assistentes de educação não são servidoras efetivas, mas sim, contratadas por tempo determinado. Alexandre disse ainda que é preciso discutir o modelo de contratação e concurso público para o cargo, de forma que as já contratadas possam participar dele com alguma vantagem por pontuação diferenciada.
Demissão – O vereador Maicon Nogueira (PP) fez uma representação ao Ministério Público do Trabalho contra a demissão da presidente do sindicato. A vereadora Luiza Ribeiro (PT) afirmou que fará outra. “Isso é ilegal, imoral e inconstitucional. Vamos requerer a reintegração”, ela disse.
Os parlamentares convidaram representante da prefeitura para participar da reunião, mas nenhum compareceu.













